Algumas confissões

  1. Confesso: não tenho tido tempo de escrever aqui, o que me deixa meio culpada. Mas explico: estou fazendo dois cursos ao mesmo tempo, ambos no mundo dos livros. Um deles explica a foto deste post. É sobre literatura infantil, com o maravilhoso autor Cláudio Fragata – os livros da imagem do post fazem parte da bibliografia do curso. Assim que eu ler cada um deles, volto aqui para comentar.
  2. Confesso: com a semana tão cheia de atividades, entre os dois cursos e a revista Recreio, tenho lido menos do que gostaria. Mais culpa ainda! Mas não quer dizer que eu não esteja lendo nada. São dois no momento: Reinações de Narizinho – Parte 2 (Monteiro Lobato, Editora Globo) e Body of Evidence (Patricia Cornwell). Os dois estão mais ou menos na metade. Não demorará (tanto) para eu falar aqui sobre eles.
  3. Confesso: sim, estou adorando criar histórias infantis no curso do Cláudio Fragata (leia a confissão número 1 se você veio diretamente para essa). Já tinha feito um workshop de uma tarde com ele, onde escrevi três contos. Reli um deles hoje e ainda acho que ficou bom.
  4. Confesso: morro de medo do julgamento alheio, mas hoje acordei corajosa e resolvi dividir aqui o conto citado na confissão 3. Pode até parecer, mas ele não é exatamente sobre minha avó Elza: o dia da morte dela não teve nada a ver com o que relato no texto; ela gostava mesmo era de uma boa cerveja; mas a saudade, ainda hoje, quase cinco anos depois, é a mesma da história a seguir.

O café da vovó

Eu estava no chuveiro. Minhas tias tomavam chá na cozinha – com bolo, pois nunca faltava comida em casa. Até que a ligação que ninguém queria atender chegou: vovó tinha morrido.

Saí do banheiro, ainda com o cabelo molhado e sem conseguir entender nada direito. Aquela não era só mais uma ida ao hospital?

– Não, minha filha. Vovó foi embora para sempre.

Então, era por isso que, naquela tarde, as mulheres da família estavam tomando chá, e não café. Vovó jamais permitiria que seu café fosse trocado por uma água quente e sem graça.

– Uma criança não deve ir ao velório. Ela não entenderá a situação – disse uma tia.

Mas eu bati o pé e fui. Vovó estava dormindo e parecia bem. Não era uma morta pálida e com cara de vampiro. Mesmo assim, uma dor imensa invadiu meu corpo todo:

– Meu coração dói, vó… E você não vai cuidar de mim agora?

Semanas se passaram e a dor no coração diminuiu. A saudade ficou. E, eu, logo aprendi a tomar café. Café é da vovó. Chá é de qualquer mulher.

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